Toda a gente vende IA. Nós dizemos-te quando ela é a resposta errada.
Há tarefas repetidas na tua empresa onde a inteligência artificial poupa dias de trabalho por mês. E há outras, a maior parte, onde ela sai mais cara, mais lenta e menos fiável do que uma regra escrita uma vez. Esta página diz como se distinguem.
A pergunta não é se a tarefa é chata. É se ela varia.
É este o critério, e resolve quase todos os casos numa conversa. Se aquilo que entra chega sempre na mesma forma, um programa normal faz o trabalho: lê onde tem de ler, calcula, e acerta sempre. Se aquilo que entra vem escrito por pessoas diferentes, em formatos diferentes, com palavras diferentes para a mesma coisa, então é aí que um modelo de linguagem ganha, porque é a única coisa que lida bem com o que não estava previsto.
Quase toda a gente que nos pede IA está a descrever a primeira situação. E na primeira situação a IA é a escolha pior, não a mais moderna.
Onde compensa, e onde não compensa.
Compensa quando
- Os documentos chegam de fontes diferentes e nunca no mesmo formato
- É preciso perceber texto escrito por pessoas, como emails ou pedidos livres
- A tarefa é classificar ou encaminhar, e as regras têm demasiadas excepções
- É preciso resumir muito texto para alguém decidir depressa
- Já tentaram escrever as regras e a lista de excepções nunca mais acaba
Não compensa quando
- O que entra sai sempre igual, como um formulário de um portal do Estado
- O resultado tem de ser exactamente o mesmo hoje e daqui a um ano
- A tarefa é aritmética, comparar listas ou verificar prazos
- Um erro em cem passa despercebido e custa dinheiro a sério
- O volume é alto e passa a haver um custo por cada documento lido
A coluna da direita é a maior parte do trabalho de escritório de uma empresa portuguesa, e é por isso que a maior parte das automações de processos internos que entregámos não usa modelo de linguagem nenhum. Não é conservadorismo: é que ali a regra escrita ganha em tudo o que interessa, no preço, na velocidade e em dar sempre a mesma resposta.
O que nos pedem, e o que costuma ser mesmo.
Estes são os pedidos que aparecem sempre. A resposta muda com o caso, mas o critério é o mesmo: o que entra vem sempre igual, ou vem de maneiras diferentes?
Ler faturas de fornecedores que chegam por email. Cada fornecedor tem o seu modelo e nenhum avisa quando o muda. É dos poucos casos em que o modelo de linguagem ganha logo à primeira, mas o que ele faz é ler: as contas e a validação continuam a ser regras, porque num total não se admite quase certo.
Classificar pedidos que chegam ao suporte ou ao comercial. São escritos por pessoas, cada uma à sua maneira, e a lista de excepções de uma regra nunca mais acaba. Aqui a IA compensa, e o custo é baixo porque um email é pouco texto.
Passar dados de um portal do Estado para uma folha de cálculo. Saem sempre iguais, com os mesmos campos nos mesmos sítios. É o exemplo perfeito de onde a IA é a escolha pior: mais cara, mais lenta e menos previsível do que ler os rótulos.
Conferir se dois sistemas dizem o mesmo. Quem está na folha de salários e não está no seguro, o que foi faturado e não foi pago. É comparação e aritmética, não há nada a interpretar, e uma regra faz isto de graça e sem falhar uma.
Resumir contratos, atas ou relatórios longos. Compensa, com uma condição que não é negociável: o resumo serve para alguém decidir mais depressa, nunca para decidir sozinho. A ligação para o original fica sempre à vista.
Responder a clientes sem ninguém ler. É o pedido que mais aparece e o que mais vezes recusamos. Um modelo responde bem quase sempre, e o "quase" é o teu nome à frente de uma resposta errada, escrita com toda a confiança do mundo. Fazemos rascunhos para uma pessoa aprovar, e isso já poupa a maior parte do tempo.
Como aplicamos, por esta ordem.
Primeiro medimos a tarefa que já existe. Quantas vezes por semana acontece, quanto tempo demora, e o que custa quando corre mal. Sem isso não há como saber se valeu a pena, e uma automação que ninguém consegue avaliar é uma despesa com boa reputação.
Depois tentamos resolver sem IA. Se a regra escrita chega, é essa que fica: custa menos a fazer, não tem custo por utilização, e daqui a dois anos continua a dar o mesmo resultado sem ninguém lhe tocar.
Onde a IA entra, entra numa parte e não no processo todo. Ler o documento é dela; decidir o que fazer com aquilo continua a ser uma regra que se lê e se corrige. Assim, no dia em que o modelo mudar de comportamento, e eles mudam, o estrago é de uma peça e não do sistema inteiro.
E fica sempre uma pessoa no meio onde o erro custa caro. Um modelo de linguagem acerta quase sempre, e "quase sempre" é uma coisa boa numa caixa de entrada e uma coisa péssima numa comunicação à Autoridade Tributária.
Onde já usamos IA hoje: a construir o teu software, e dentro de um.
Usamo-la todos os dias no nosso próprio trabalho, em todos os serviços, e o que isso te dá não é uma funcionalidade, é prazo e preço: entregamos em semanas coisas que há três anos levavam meses, e é parte da razão por que fazemos software à medida a preços que costumavam exigir uma equipa inteira.
E num sistema que já entregámos. Corre no servidor da própria empresa, lê o que entra, organiza, classifica, e leva a informação para onde ela é precisa. Parte dele são regras escritas e parte é um modelo de linguagem, porque nem tudo o que aquele sistema faz precisava de um. O que uma pessoa fazia em duas horas por dia leva agora um minuto. Está contado na página de automação de processos.
O que não muda é o resto. O código é revisto por quem o entrega, é o mesmo código que defendemos numa reunião, e o repositório é teu desde o primeiro dia. Ferramenta que escreve depressa não substitui alguém que percebe o que escreveu, e é com essa pessoa que continuas a falar.
Uma ferramenta que escreve depressa não substitui alguém que perceba o que escreveu.
Por onde se começa.
Pela tarefa mais aborrecida que alguém faz há anos sem se queixar. Não é a mais visível nem a mais falada, é a que está tão enraizada que já ninguém a vê como um problema, e é quase sempre aí que está a maior poupança.
Na primeira conversa dizemos-te se o teu caso é de IA ou de uma regra escrita, e quanto custa cada um. Já dissemos a mais gente que não precisava de IA do que o contrário.
Perguntas sobre IA, respondidas sem entusiasmo.
Os meus dados vão parar ao ChatGPT?
Só se tu quiseres, e dizemos-te sempre o que sai da tua casa antes de sair. Há trabalho que se faz com modelos que correm em servidores europeus com contrato de tratamento de dados, e há trabalho que se faz sem nada sair da tua infraestrutura.
Custam diferente e são diferentes na qualidade. Explicamos os dois e a decisão é tua, por escrito, antes de começarmos.
E se o modelo se enganar?
Engana-se. Não é uma possibilidade remota, é uma característica: um modelo de linguagem dá a resposta mais provável, não a resposta certa, e de vez em quando as duas não são a mesma.
Por isso é que a IA entra numa parte e não no processo todo, e por isso é que onde o erro custa caro fica sempre uma pessoa a confirmar. Quem te disser que o modelo dele não se engana está a vender-te outra coisa.
Isto tem custo por utilização?
Se usar um modelo de terceiros, sim, e paga-se por documento ou por pedido. É uma conta que se faz antes e não depois: com volume alto, uma tarefa que uma regra resolve de graça pode custar mais em modelo do que custou a construir.
É uma das razões pelas quais tantas vezes a resposta é não usar IA. Dizemos-te o número antes de decidires.
Ficamos presos ao vosso fornecedor de IA?
Não, e é uma decisão de arquitectura e não uma promessa. A parte que fala com o modelo fica isolada do resto, para se trocar de fornecedor sem reescrever o sistema.
Como em tudo o resto que fazemos, o repositório é teu desde o primeiro dia e podes levá-lo a outra equipa quando quiseres.
Vale a pena para uma empresa pequena?
Às vezes, e menos vezes do que se diz por aí. Numa empresa pequena o volume costuma ser baixo, e com volume baixo a poupança de uma automação demora a pagar o que custou a construir, com IA ou sem ela.
O sinal de que vale a pena é outro: uma tarefa repetida onde um erro não se vê. Aí o que se poupa não é tempo, é o custo do erro que ninguém apanhou.
Dizer que sim não te devia custar nada.
Por isso desenhámos o processo para que a parte arriscada seja a nossa.
A conversa e o orçamento não se pagam. Reunião de 30 minutos e um orçamento detalhado por escrito. Não te cobramos por isso e não te ligamos oito vezes depois.
O preço fecha antes de começarmos. Âmbito, prazo e valor por escrito. Se alguma coisa mudar a meio, mudas tu, e voltamos a combinar antes de fazer.
Pagas por marcos, não tudo à cabeça. O investimento distribui-se pelas fases do projeto.
Se não gostares da primeira proposta de design, paras ali. Não avanças e não pagas. Ficas com o material que fizemos.
O código é teu desde o primeiro dia. Recebes o repositório Git completo e documentado. Podes levar a manutenção para uma equipa interna quando quiseres. Não trabalhamos com clientes presos, trabalhamos com clientes que ficam porque querem.
Conta-nos o problema. O resto é connosco.
Escreves duas linhas, respondemos no próprio dia, e em dois dias tens um orçamento por escrito. Se não avançares, não perdeste nada.
Ao telefone, de segunda a sábado das 9h às 18h. Somos de Paredes, no Porto, e trabalhamos com clientes em todo o país.
Recebido.
Já estamos a olhar para isso. Vais receber já um email de confirmação, e uma pessoa responde-te em menos de 1 hora, em horário de expediente.
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