Que processos automatizar primeiro?
Não é o que demora mais. É o trabalho repetido onde um erro não se vê, porque é aí que a automação se paga mais depressa e que a falta dela custa mais do que o tempo perdido.
Atualizado em . Escrito por Gil Martinho, sócio-fundador.
Quando ainda não vale a pena automatizar
Automatizar um processo desarrumado dá um processo desarrumado mais depressa. Antes de pensar em ferramentas, confirma que o trabalho que tens em mente passa nestes três testes.
Duas pessoas fazem-no da mesma maneira. Se cada um o faz à sua, ainda não há processo para automatizar, há hábitos. O primeiro passo é escrever numa página como se faz, e às vezes isso sozinho resolve metade do problema.
Não muda todos os meses. Um trabalho cujas regras ainda estão a ser decididas vai obrigar a mexer na automação a cada decisão nova. Espera que assente.
Vale o esforço. Uma tarefa de dez minutos que acontece uma vez por mês não é por onde se começa, por muito que irrite quem a faz.
Se o que tens em mente falha um destes testes, não precisas de nós nem de ninguém por agora. Precisas de uma tarde a escrever como o trabalho se faz.
Por um processo, não por um departamento
O erro mais comum é querer automatizar a empresa. Um plano que começa em todos os departamentos ao mesmo tempo demora meses a mostrar alguma coisa, e entretanto as pessoas deixam de acreditar nele.
O que funciona é o contrário. Escolhe-se um processo, resolve-se, e deixa-se a equipa vê-lo a funcionar. No caso que está contado na página de automação de processos foi exatamente assim: começou na documentação dos subempreiteiros, e a abertura de obra e a faturação vieram depois, porque as pessoas viram a primeira a funcionar e não porque alguém tinha desenhado um plano.
As quatro perguntas que ordenam a lista
Quando tens vários candidatos, estas quatro perguntas põem-nos por ordem. A segunda pesa mais do que as outras três juntas.
Quantas vezes se repete, e quanto tempo leva?
É a pergunta que toda a gente faz, e está certa, só não é a mais importante. Um trabalho que acontece todos os dias, várias vezes, é melhor candidato do que um que acontece uma vez por mês, mesmo que demore mais de cada vez.
Quando corre mal, alguém vê?
Esta é a que decide. Nos três processos contados na página de automação, o problema não era a lentidão em nenhum deles. Era que uma coisa errada podia passar sem ninguém dar por ela.
Um subempreiteiro não entra em obra sem os documentos em dia, e cada documento tem a sua regra de validade. Conferi-los à mão era lento, mas o pior não era isso: um documento que expirava a meio da obra não avisava ninguém.
Um trabalho que demora uma hora e cujo erro aparece logo é um incómodo. Um trabalho que demora dez minutos e cujo erro só aparece meses depois é um risco, e é por esse que se começa.
O que entra sai sempre igual?
Os documentos dos subempreiteiros eram formulários de portais do Estado, que saem sempre com a mesma forma. Por isso leram-se com regras simples, sem inteligência artificial, sem nada a adivinhar e sem nada a pagar por documento lido.
Folhas soltas de fornecedores, cada uma à sua maneira, são outra conversa: dá para automatizar, mas é mais caro e menos certo. Para o primeiro processo, prefere o que entra sempre igual. Sobre quando a IA compensa e quando não, escrevemos uma página à parte.
A equipa vai ver o resultado?
O primeiro processo tem uma função que os outros não têm: convencer. Se for uma coisa que corre num canto e ninguém nota, funciona e não muda nada na empresa. Se for uma coisa que alguém fazia todas as semanas e deixou de fazer, toda a gente percebe, e o segundo processo já não precisa de ser vendido a ninguém.
| A pergunta | Sobe na lista | Desce na lista |
|---|---|---|
| Repete-se | Todos os dias, ou várias vezes por semana. | Uma vez por mês, ou menos. |
| Quando corre mal | Ninguém dá por isso até ser tarde. | O erro vê-se logo e corrige-se na hora. |
| O que entra | Sai sempre com a mesma forma. | Cada caso vem à sua maneira. |
| Quem vê o resultado | A equipa, todas as semanas. | Uma pessoa, de vez em quando. |
| Como se faz hoje | Toda a gente o faz da mesma maneira. | Cada um o faz à sua, e ainda se está a decidir. |
Onde costuma estar o primeiro
Os bons primeiros candidatos costumam estar num destes quatro sítios. Se estás a procurar, procura aqui primeiro:
Documentos que chegam por email e alguém confere um a um. Certidões, seguros, faturas de fornecedores, comprovativos. A pessoa abre, confirma, aponta, e pede o que falta.
Dados que saem de um programa e entram à mão noutro. Do programa de orçamentação para os mapas de obra, da folha de cálculo para a faturação, do email para o CRM. É nessa cópia que aparecem os enganos que ninguém apanha.
Um relatório que se monta à mão todos os meses. Juntar, recortar, colar e mandar a cada um o que é dele. No caso da faturação de manutenção, passou a levar meio minuto.
Um seguimento que depende de alguém se lembrar. O orçamento enviado há doze dias sem resposta, o documento que caduca no mês que vem. Se a resposta a «quem é que avisa?» é «ninguém, alguém lembra-se», está aqui um candidato.
A lista, e podes fazê-la esta semana
Não precisas de falar com ninguém para saber por onde começar. Precisas de uma semana e de uma folha:
- Durante cinco dias úteis, cada pessoa da equipa aponta o que fez à mão e que já tinha feito igual antes.
- No fim da semana, junta tudo numa lista e risca o que falha os três testes do início.
- Ao que sobra, faz as quatro perguntas, e começa pelo que tiver um erro que ninguém vê.
Se o primeiro da lista tiver dois ou três passos e ligar aplicações que já têm ligação pronta, resolve-o tu no Make, e o guia sobre o Make e o Zapier diz-te como saber. Se tiver regras que só a tua empresa conhece, é aí que vale a pena falarmos.
Perguntas que aparecem sempre, respondidas sem rodeios.
Não tenho tempo para fazer a lista. Por onde começo?
Pela pergunta que decide: o que é que, se corresse mal esta semana, só descobririas daqui a um mês? Quase toda a gente tem uma resposta a isto em menos de um minuto, e é um bom primeiro candidato.
Se preferires, é o que fazemos na primeira conversa, e ela não te compromete a nada.
Devíamos começar pela inteligência artificial?
Começa pelo problema, não pela tecnologia. Muitas vezes o primeiro processo não precisa de IA nenhuma, e é melhor que não precise: regras simples dão sempre o mesmo resultado e não custam nada por cada vez que correm.
Quando um problema precisa mesmo de um modelo, a página sobre IA explica onde compensa e onde fica mais cara e pior.
Tenho de automatizar tudo de uma vez?
Não, e não é boa ideia. Um processo de cada vez, começando pelo que a equipa vai ver a funcionar. Os seguintes vêm mais depressa, porque o primeiro já respondeu à pergunta «isto funciona aqui?».
E se ninguém na empresa faz o trabalho da mesma maneira?
Então o primeiro passo não é automatizar, é escrever como se faz e pôr toda a gente a fazê-lo assim. Automatizar três maneiras diferentes de fazer a mesma coisa dá três automações para manter.
Muitas vezes, ao escrever, percebe-se que metade dos passos já não servia para nada.
Temos de mudar os programas que já usamos?
Não. A automação lê o que já existe: os anexos que chegam por email, as exportações dos programas, as folhas de cálculo que a equipa já mantém. O que muda é quem faz o trabalho, não onde ele vive.
Conta-nos o problema. O resto é connosco.
Escreves duas linhas e respondemos no próprio dia. O orçamento chega por escrito, e se não avançares, não perdeste nada.
Ao telefone, de segunda a sábado das 9h às 18h. Somos de Paredes, no Porto, e trabalhamos com clientes em todo o país.
Recebido.
Já estamos a olhar para isso. Vais receber já um email de confirmação, e uma pessoa responde-te em menos de 1 hora, em horário de expediente.
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