Make, Zapier ou automação à medida?
Para uma tarefa isolada, o Make chega e é mais barato. Quando o trabalho passa por três pessoas e dois programas, já não é uma tarefa, é um processo, e a pergunta muda.
Atualizado em . Escrito por Gil Martinho, sócio-fundador.
Quando o Make ou o Zapier chegam
Há muito trabalho repetido que se resolve numa tarde com uma ferramenta destas, e é um erro pagar a alguém para o construir. É o caso quando a automação tem dois ou três passos simples, liga aplicações que já têm ligação pronta, como o email, uma folha de cálculo ou um formulário, e corre umas centenas de vezes por mês, até cerca de mil.
Um anexo que chega por email e vai para uma pasta. Um formulário preenchido que aparece numa linha da folha e manda um aviso a quem tem de saber. Se é isto que queres, faz tu, ou pede a alguém da equipa com jeito. Começas amanhã e pagas pouco.
Nós dizemos isto na primeira conversa, e já mandámos gente embora com uma recomendação de Zapier e sem fatura nenhuma.
As perguntas que decidem
Nenhuma é sobre o que a ferramenta consegue fazer. O Make e o Zapier ligam quase tudo a quase tudo, e não é aí que a decisão se joga. Joga-se no que acontece depois de a automação estar a correr.
Quando corre mal, alguém dá por isso?
Uma automação que falha com um erro é o caso fácil: a ferramenta manda um email a quem a criou, e alguém resolve. O caso difícil é a que corre até ao fim e faz a coisa errada.
Numa das automações que fizemos, a ferramenta lê as exportações de um programa de orçamentação e monta os mapas de uma obra nova. Se as colunas vierem trocadas, não há erro nenhum, há mapas vazios. E um mapa vazio parece que correu bem. Por isso a primeira coisa que ela faz é conferir os cabeçalhos, antes de ler o que quer que seja.
Num cenário do Make dá para fazer o mesmo, mas alguém tem de se lembrar de o fazer, e quase ninguém se lembra até ao dia em que lhe acontece.
A regra é tua, ou é uma regra qualquer?
As ferramentas prontas são boas a mover dados de um sítio para outro. Começam a custar quando a automação tem de saber uma coisa que só a tua empresa sabe.
Um exemplo real: uma ficha de aptidão médica vale dois anos entre os 18 e os 49 anos, e um ano a partir dos 50, com a idade contada a dia de hoje e não à data do exame. No dia em que um trabalhador faz 50 anos, uma ficha que estava válida pode passar a expirada sem ter chegado nada novo. Num sistema feito para isso é uma regra escrita e testada. Num cenário do Make é um novelo de filtros que só quem o montou percebe.
Quem mantém isto quando quem o fez sair?
A automação feita em casa vive na conta de alguém, e quase sempre só essa pessoa sabe o que cada passo faz. Enquanto ela lá está, funciona. Quando sai, ou muda de funções, fica um processo de que a empresa depende e que ninguém se atreve a abrir.
É o mesmo problema da folha de Excel que só uma pessoa entende, mudado de sítio. Se a automação é para durar, tem de ter documentação escrita e um dono que não seja uma pessoa só.
Quanto custa ao fim de um ano?
As duas ferramentas cobram por mês, e o preço sobe com o número de vezes que a automação corre. Com pouco volume é barato. Com muito, a conta cresce todos os meses sem que o trabalho tenha mudado.
O sinal prático é a fatura: quando a conta mensal dessas ferramentas passa dos 100€, fazer à medida costuma sair mais barato ao fim de um ano. À medida também não é de graça, há a construção e há o servidor onde corre, mas paga-se a construção uma vez e não por cada vez que a automação trabalha.
Por onde passam os dados?
Numa ferramenta pronta, os dados passam pelos servidores dela. Para mover leads de um formulário isso raramente pesa. Para fichas médicas, salários ou documentos de trabalhadores, que são dados que a lei protege mais do que os outros, vale a pena saber exatamente onde estão antes de os pôr a circular.
Feito à medida, a automação pode correr num servidor da própria empresa, e os dados não saem de lá.
E o ChatGPT?
É a pergunta de quem já sabe o que quer automatizar, e a resposta honesta é que ajuda. Escreve uma fórmula, um pequeno programa, ou explica-te como montar um cenário no Make, e para uma tarefa isolada isso pode chegar.
O que ele não faz é saber como a tua empresa trabalha. Não sabe que a ficha médica muda de validade aos 50 anos, a não ser que alguém lho diga, e a parte difícil de automatizar um processo é precisamente saber o que é preciso dizer. Também não testa o que acontece quando o ficheiro vem diferente, e não está cá daqui a seis meses quando alguma coisa mudar.
Usamos modelos de linguagem quando fazem falta, e num dos sistemas há um agente a correr no servidor da empresa. Mas na leitura dos documentos dos subempreiteiros não entrou nenhum: são formulários que saem sempre iguais, e lêem-se com regras, sem nada a pagar por documento lido. Saber quando a IA não é precisa faz parte do trabalho.
| A pergunta | Make ou Zapier | Feito em casa, com o ChatGPT | À medida |
|---|---|---|---|
| Quando começa | Amanhã. | Quando alguém tiver tempo. | Depois de se perceber o processo, e é aí que está o trabalho. |
| Quanto custa | Pouco por mês, e sobe com o volume. | As horas de quem o faz e de quem o corrige. | A construção uma vez, e o servidor onde corre. |
| Regras da tua empresa | Filtros, até certo ponto. | As que alguém se lembrar de pedir. | Escritas e testadas, uma a uma. |
| Quando corre mal | Avisa se der erro, e não avisa se correr errado. | Depende de quem o escreveu. | Confere o que lê e avisa quando não bate. |
| Quem o entende | Quem montou o cenário. | Quem o escreveu, enquanto se lembrar. | Fica documentado, e o código é da empresa. |
| Onde ficam os dados | Nos servidores da ferramenta. | Onde quer que o programa corra. | Onde a empresa decidir, incluindo em casa. |
| Quando ganha | Dois ou três passos, pouco volume, aplicações com ligação pronta. | Uma tarefa de uma pessoa, que ela própria mantém. | Regras próprias, muito volume, ou um processo de que a empresa depende. |
Não tens de escolher para sempre
Começar no Make é muitas vezes a decisão certa, mesmo quando a automação vai crescer. Mostra depressa se a ideia funciona, e um cenário que já corre há uns meses é a melhor descrição que existe do processo: diz o que entra, o que sai, e onde é que as coisas costumam correr mal.
Quando a conta começa a pesar, ou quando o cenário fica tão complicado que ninguém o quer abrir, passa-se para à medida o que pesa, e o resto pode continuar onde está.
A conta que decide, e podes fazê-la hoje
Antes de falares com quem quer que seja, incluindo connosco, responde a três perguntas sobre a automação que tens em mente:
- Quantas vezes por mês ela vai correr.
- Quantas regras tem que só fazem sentido na tua empresa.
- Quantas pessoas da tua equipa a conseguiriam arranjar se parasse amanhã.
Se as respostas forem poucas, nenhuma e pelo menos uma, usa o Make e não penses mais nisso. Se forem muitas, várias e nenhuma, já não estás a falar de uma tarefa, estás a falar de um processo de que a empresa depende.
Se ainda não sabes qual é a automação a fazer primeiro, o guia sobre que processos automatizar primeiro ajuda a escolher.
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Perguntas que aparecem sempre, respondidas sem rodeios.
Já tenho cenários no Make. Vão para o lixo?
Não. Os que funcionam e não pesam na conta ficam onde estão. O que se passa para à medida é o que dá problemas, o que custa mais, ou o que tem regras que o cenário já não aguenta.
E os cenários que existem poupam trabalho: mostram o processo como ele é de facto, que nem sempre é como as pessoas o descrevem.
Porque não faço eu com o ChatGPT?
Para uma tarefa tua, que só tu usas, faz. É rápido e chega.
Para um processo de que a empresa depende, o ChatGPT escreve o código mas não sabe as regras do teu negócio, não testa o que acontece quando o ficheiro vem diferente, e não está cá quando alguma coisa mudar. A parte difícil nunca foi escrever o código, é saber o que ele tem de fazer.
A partir de quando o Make deixa de compensar?
Há dois sinais práticos. A automação passa de cerca de mil operações por mês, ou a conta mensal dessas ferramentas passa dos 100€. A partir daí, fazer à medida costuma sair mais barato ao fim de um ano.
E há um terceiro que não aparece em fatura nenhuma: o cenário ficou tão complicado que ninguém na equipa o quer abrir.
E se a automação à medida avariar?
Fica documentada, e o código é da tua empresa, por isso qualquer equipa a consegue arranjar, e não só nós. A manutenção connosco é opcional: há quem prefira uma avença de acompanhamento e há quem nos chame só quando precisa.
E a maior parte das avarias que contam são as silenciosas, por isso o que construímos confere o que lê e avisa quando os números não batem.
Quanto custa automatizar à medida?
Depende do processo, e não há tabela de preços que responda a isso honestamente. O que te damos é um orçamento por escrito, sem compromisso, depois de percebermos o que a automação tem de fazer.
O que mexe no número, e como se paga, estão na página de preços.
Conta-nos o problema. O resto é connosco.
Escreves duas linhas e respondemos no próprio dia. O orçamento chega por escrito, e se não avançares, não perdeste nada.
Ao telefone, de segunda a sábado das 9h às 18h. Somos de Paredes, no Porto, e trabalhamos com clientes em todo o país.
Recebido.
Já estamos a olhar para isso. Vais receber já um email de confirmação, e uma pessoa responde-te em menos de 1 hora, em horário de expediente.
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